Os primeiros sinais do ano eleitoral

  Sérgio Botelho O cargo de ministro do Trabalho é do PTB, de Roberto Jefferson, presidente nacional da sigla, e de Jovair Arantes, deputado líder do partido na Câmara.

 

Jornalista Sérgio Botêlho
Sergio Botelho

Sérgio Botelho

O cargo de ministro do Trabalho é do PTB, de Roberto Jefferson, presidente nacional da sigla, e de Jovair Arantes, deputado líder do partido na Câmara. Mas, o cargo está vago desde que, nos últimos dias do ano, o ex-ministro Ronaldo Nogueira, deputado federal petebista, renunciou.

Rapidamente, a bancada do partido na Câmara dos Deputados reuniu-se e indicou o deputado Pedro Fernandes, do Maranhão, para a vaga. Aí, segundo Roberto Jefferson, o nome foi vetado pelo ex-presidente Sarney, do PMDB.

O veto de Sarney aconteceu por conta do alinhamento de Pedro Fernandes com o governador maranhense Flávio Dino, do PCdoB, adversário da família Sarney, naquele estado nordestino. Dino e Roseana Sarney têm embate eleitoral marcado para outubro próximo.

Nessa terça-feira, 02, o líder Jovair Arantes revelou sua insatisfação para com o veto de Sarney, considerando que sendo o cargo do PTB caberia livremente aos deputados do partido indicar o substituto de Nogueira, sem interferência de outra agremiação política.

A pinimba sinaliza que estamos efetivamente em ano eleitoral e que, sob esse signo, será conduzido o barco político, tanto aquele em que navega o governo quanto no que é pilotado pela oposição, com reflexos ainda imensuráveis sobre toda a pauta prevista para o resto do ano.

Não creio que vá ser difícil ao governo dobrar a bancada do PTB. Pode até demorar um pouco, mas, os interesses do partido em participar da máquina administrativa, justamente em ano eleitoral, deverão falar mais alto do que meras demonstrações de contrariedade.

Nesse particular, o que deve preocupar o governo é o PTB bater pé e insistir na indicação de Pedro Fernandes, o que estará revelando um certo dar de ombros da sigla em participar da gestão federal.

A bem da verdade, o problema maior para o governo reside no quadro de indefinição que cerca a aprovação da reforma da Previdência, cuja votação é prevista para a segunda quinzena de fevereiro.

Todos estão preocupados, de forma mais atenta, no destino que a reforma terá neste ano eleitoral, já que foi transformada em verdadeira razão de ser do atual governo. O que, para muita gente, entre analistas independentes e governistas, não deveria ter acontecido.

Há uma variável que deve ser levada em conta e que tem tudo a ver com ano eleitoral, que é a economia, onde aparecem alguns sinais de recuperação a animar o mercado. Importante assinalar que o eleitor brasileiro vota na direção dos ventos econômicos, sempre.

Mas, tem um detalhe: em que proporção, para o bem ou para o mal, os anúncios em curso na área econômica irão atingir o bolso e a vida diária do povo? É essa medida de caráter relativo que vai definir o alinhamento da patuleia, e, por consequência, dos partidos para as bandas do governo ou da oposição.

São os eleitores, em tempos eleitorais, que determinam os votos dos parlamentares, especialmente no que diz respeito ao destino de um projeto, tipo reforma da Previdência. E é essa votação, por conta da importância que lhe foi emprestada, que deve ser vista como um efetivo ponto de inflexão a determinar os rumos político-eleitorais em 2018.

 

 

 

 

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