Campina Grande recebe tocha olímpica

Chegada da tocha olímpica a Campina Grande inaugura o Maior São João do Mundo.
Assis Paulo protagonizou a passagem da chama pela praça Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Crédito: Ivo Lima/ brasil2016.gov.br

Todo mês de junho, Campina Grande, na Paraíba, se enfeita para o mesmo ritual. As bandeirolas coloridas penduradas nos postes da cidade são o prenúncio da temporada de arraial, fogueira, canjica, quentão, casamento na roça e quadrilhas juninas dançando ao ritmo do forró, onipresente na região. Este ano, no entanto, o Maior São João do Mundo, ciclo festivo que começou ontem, sexta-feira, 03, e arrasta multidões para a região, teve participação especial. Esquentando as sanfonas, triângulos e zabumbas, a chama olímpica passou pela cidade paraibana, na última quinta-feira, 02, e entrou na contradança.

A chegada do fogo olímpico causou rebuliço não só na própria Campina Grande, mas em toda a região. Às margens do Açude Velho, um grupo de crianças e adolescentes, trajando camiseta e carregando uma bandeira de sua cidade natal, percorria as atrações locais, enquanto esperava pelo horário do revezamento. Eram jovens estudantes da pequena Camalaú, cidade paraibana com cerca de sete mil habitantes, localizada a cerca de 160 quilômetros de Campina Grande. “Os 400 alunos da escola fizeram uma redação e os autores das 16 melhores vieram ver a tocha”, esclareceu o estudante Luiz Manoel Magalhães, de 12 anos. “A organização do evento pediu aos secretários municipais para mobilizar os alunos do interior do estado”, explicou o secretário de Esporte e Educação de Camalaú, Pedro Mineiro, que aproveitou para mostrar aos alunos alguns pontos históricos e turísticos da cidade.

No Açude Velho, o trecho que mais chamou atenção foi o protagonizado pelo estudante Patrick Dorneles, de 19 anos. Portador de mucopolissacaridose, doença degenerativa rara que se caracteriza pela falta de uma enzima que quebra a glicose do sangue, ele não tem os movimentos das pernas, se locomove em uma cadeira especial e luta para levar uma unidade do Hospital Sarah para o estado. “Cerca de 27,7% da população da Paraíba tem algum tipo de deficiência. Sem contar que a unidade também atenderia os estados vizinhos”, afirmou. Patrick fez seu percurso em uma lancha, sobre as águas do açude. “Cada condutor percorre cerca de 200 metros com a tocha, mas meu privilégio é maior: fico com ela por dois quilômetros”.

Já Ednalva Laureano, a Pretinha, não escondia de ninguém a vibração e o alto astral de estar ali pronta a receber a chama de Patrick. Maior fundista e maratonista da Paraíba, Pretinha parou de correr profissionalmente em 2013, depois de conquistar títulos nacionais e internacionais. “Assim como o forró, a animação é uma característica do paraibano e mesmo aquele que não tem o gingado da dança é bem disposto para se agitar”, comentava, sorridente.

Na praça Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, também às margens do Açude Velho, quadrilheiros ornamentados e dezenas de sanfoneiros entoaram o forró quando a chama chegou. Quem a levaria até o último ponto de condução – o monumento em homenagem aos 150 anos da cidade – seria o ex-atleta e medalhista campinense, Assis Paulo.

Em outro ponto da cidade, o chef de cozinha Beto Urtiga, de 43 anos, se concentrava para cruzar uma avenida como portador do fogo sagrado. Ex-sedentário, ele já chegou a pesar 130 quilos e se encaixava no estereótipo do chef: inativo, com muitos quilos acima do recomendado. Mas descobriu a ultramaratona, entrou em forma e virou “o chef que corre”. Antes de dar sequência ao trajeto, ele dava sua receita de sucesso como condutor: “O tempero é emoção, coração, vida e saúde, mistura tudo isso e bota em uma panela!”, brincava.

A mesma receita de alegria e espontaneidade foi seguida pelo empresário e servidor público Antônio Marcos Cavalcante, de 49 anos. Nascido e criado na zona rural de Guarabira, ele viveu uma infância de dificuldades. Conseguiu, porém, estudar, passar em concurso e mudar o próprio roteiro. Plantado em um ponto do percurso, ele causou alvoroço com o acessório que decidiu usar: um chapéu de couro. “Ele representa o calor, o sol forte, o sertão e os vaqueiros do Nordeste”, dizia, orgulhoso.

Ídolo local

Forrozeiro ilustre da nova geração da Paraíba, Luan Estilizado é uma das principais atrações das festas juninas que tomarão conta de Campina Grande a partir desta sexta-feira (03.06). Ele foi responsável pelo show que encerrou a passagem da tocha na cidade.

Atento ao revezamento desde quando o viu passar em frente ao hotel em que estava em Aracaju (SE), no último sábado, Luan recebeu a equipe do brasil2016.gov.br em sua casa e estava animado pelo tour da tocha passar por Campina Grande na véspera da abertura oficial da festa de São João.

“Ganhamos mais um dia de festa com essa histórica passagem da tocha por Campina Grande. A mim só enche de orgulho”, disse ele, antes de entoar na sanfona “A Vida do Viajante”, música imortalizada por Gonzaga e que virou tema do revezamento da tocha pelo Brasil. O sanfoneiro é uma das vozes da regravação da qual participaram outros cantores como a dupla Bruno e Marrone e César Menotti e Fabiano.

No gargarejo do show de Luan, estava a estudante Ana Cecilia Guimarães, de 14 anos. Para ela, esse capítulo ficará marcado na história da cidade.” A tocha é um evento que acontece no mundo inteiro e nunca imaginei ver isso. Adoro esporte e, para quem gosta, esse passeio da chama olímpica é muito bom”, celebrava.

Roteiro de sexta

Nessa sexta-feira (03.06), a chama percorreu as cidades paraibanas de Guarabira, Sapé e pernoitará na capital João Pessoa.

FONTE: Brasil 2016 (brasil2016.gov.br)

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