Cooperativas gaúchas mostram confiança diante da crise

Como parte de um Ciclo de Debates e Palestras que vem sendo realizadas pela Comissão de Agricultura, o Senado ouve cooperativas.

Em audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) realizada nesta sexta-feira na 21ª Feira Nacional da Soja (Fenasoja), em Santa Rosa (RS), líderes do cooperativismo gaúcho enalteceram a capacidade de seu modelo de negócios superar as dificuldades econômicas, mas, citando principalmente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cobraram mais atenção do governo federal ao setor. No debate, presidido pela senadora Ana Amélia (PP-RS), os representantes do setor agropecuário também expressaram suas expectativas positivas para a safra deste ano.

O presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), Vergilio Perius, mencionou a tradição gaúcha do cooperativismo e o desempenho positivo das cooperativas: no ano passado, geraram 11% mais empregos e pagam salários superiores aos das empresas privadas. Perius também mostrou dados sobre o aumento dos depósitos em cooperativas de crédito, o que, segundo ele, atesta a credibilidade crescente do sistema.

— Na nossa essência, quando existe crise, as pessoas se unem mais, na família, na pequena e na grande comunidade. O cooperativismo cresce na crise e vence a crise — afirmou.

No entanto, ele lamentou que mais de 100 mil produtores rurais continuem presos no “subdesenvolvimento” por falta de energia elétrica.

Segundo o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), as cooperativas de eletrificação, que hoje têm grande importância no estado, sofreram com a redução do preço da energia determinado pelo governo federal em 2013.

— Trouxe um prejuízo para os geradores e os distribuidores de energia. A conta veio depois. Depois da eleição, o Brasil pagou o rombo que foi deixado pela incompetência de querer ganhar uma eleição e usar o preço da energia como uma moeda de troca — denunciou.

O presidente da Cooperativa Distribuidora de Energia Fronteira Noroeste (Cooperluz), Querino Volkmer, salientou o índice de satisfação com o serviço prestado pela empresa, acima da média nacional das concessionárias de energia. Ele observou que as cooperativas do setor estão na situação “penosa” de cobrir somente as áreas que não interessavam a outras companhias, e apelou por apoio do estado e da União para servir a um mercado de poucos consumidores por quilômetro de linha.

Ana Amélia concordou com Volkmer, avaliando que o BNDES tem que levar em conta que a cooperativa não pode ser tratada com uma distribuidora de energia convencional.

Heinze acrescentou que, apesar de as empresas cooperadas darem orgulho ao Rio Grande do Sul e servirem de modelo para o resto do país, o setor tem dificuldade de financiamento pelo BNDES. Em sua avaliação, a política de participações do banco favorece empresas concorrentes das cooperativas.

Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul, comemorou o aumento expressivo da participação dos cooperados na safra deste ano: atualmente, 45% da produção vêm das cooperativas. Ele também chamou a atenção para o aumento da área plantada de milho no estado, depois de 12 anos de baixa, graças ao crescimento da rentabilidade dessa cultura.

Pires ainda mencionou a redução do número de cooperativas, avaliando que a integração é tendência, mas alertou aos cooperados para que “não percam sua individualidade, mas façam negócios em comum”:

— Esse é o princípio: os associados se ligam a uma cooperativa para terem poder de barganha, para serem fortes, terem escala.

Ana Amélia ainda criticou os problemas logísticos que encarecem o transporte milho de Mato Grosso até a chegada a Santa Catarina, onde é intensamente usado na alimentação animal.

— As indústrias produtoras irão para a zona de fornecimento da matéria-prima. Por isso, algumas estão transferindo suas unidades para o Brasil Central.

A senadora sugeriu isenção de PIS e Cofins para importação de milho da Argentina ou do Paraguai, o que baratearia o transporte.

FONTE: Agência Senado

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