Cruz Vermelha Brasileira, o enigma

Referência mundial em ajuda humanitária e presente em 190 países, a Cruz Vermelha ocupou recentemente as páginas dos jornais por motivos menos nobres, o envolvimento de alguns de dirigentes

Referência mundial em ajuda humanitária e presente em 190 países, a Cruz Vermelha ocupou recentemente as páginas dos jornais por motivos menos nobres, o envolvimento de alguns de dirigentes brasileiros na Operação Genebra. O nome da capital da Suíça foi escolhido pela Polícia Federal porque é onde fica a sede mundial da instituição.Apesar de ser conhecida mundialmente, são poucas as pessoas que sabem no Brasil como a instituição funciona. Por isso, o portal Anexo 6 foi pesquisar e descobriu que há várias ramificações. Não apenas no que tange a projetos sociais, mas também na parte administrativa.

Internacionalmente, a Cruz Vermelha possui dois braços. Um deles é o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que atua onde há conflitos armados. O outro é a Federação Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, formado por 190 Sociedades Nacionais, com foco no atendimento às vítimas de catástrofes sociais e naturais, como enchentes e terremotos.

No Brasil, a instituição possui 21 filiais estaduais e cerca de 70 municipais. Todas são operacionais, regidas, em tese, por um Órgão Central. No entanto, as filiais têm independência para firmarem contratos que, nem sempre, estão de acordo com os sete princípios fundamentais que regem a instituição: Humanidade, Neutralidade, Imparcialidade, Independência, Voluntariado, Unidade e Universalidade.

Por isso, a filial municipal de Petrópolis firmou, em 2010, contrato com a secretaria de Saúde do Distrito Federal para o gerenciamento de duas UPAs. Esse contrato considerado fraudulento pela PF desencadeou a Operação Genebra, que chegou a terceira fase.

Apesar do noticiário pouco atraente, em função de casos pontuais, a Cruz Vermelha Brasileira (CVB) também tem conquistado prêmios. Através de uma gestão compartilhada com a secretaria estadual de saúde, o Hospital de Trauma, na Paraíba, ganhou algumas honrarias nos últimos anos. Os hospitais da Cruz Vermelha em São Paulo e no Paraná também estão entre as referências de bons atendimentos no país.

Apesar dessa íntima relação com o ambiente hospitalar em alguns estados, o principal foco da instituição é a ajuda humanitária. Neste ano, a CVB atendeu às vítimas de enchentes em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Alagoas, Pernambuco, Amazonas e, mais recentemente, em Minas Gerais. Como auxiliar do poder público, a instituição é sempre requisitada nas emergências.

Nos últimos dois anos, com apoio da Federação Internacional, também criou os Projetos Zika e Febre Amarela. Diante do aumento de número de casos que vitimaram milhares de brasileiros, a CVB atuou no combate ao mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Nos estados mais afetados pelas doenças, voluntários distribuíram repelentes, preservativos e material informativo. Para eliminar criadouros e mudar hábitos que levam a proliferação do mosquito, visitas a diversas comunidades foram realizadas.

Para o bem ou para o mal, as filiais têm autonomia para criar e desenvolver projetos. Recentemente, no Ceará, foi criado o “Mãos do Futuro”, que doa mãos para crianças deficientes do estado nordestino. Feitas em 3D, em plástico, as próteses oferecem total autonomia, permitindo que seus donos possam realizar tarefas rotineiras, como comer e escrever. Também foi dessa filial o pioneiro curso de primeiros socorros para deficientes visuais.

O ensino de Primeiros Socorros é a principal atividade da instituição. No fim do primeiro semestre, a CVB lançou as Diretrizes Internacionais de Primeiros Socorros e Reanimação. As orientações que a instituição apresenta são uma referência para quem trabalha na área e também para aqueles que querem saber mais sobre a atividade que salva vidas.

Para disseminar a prática, a CVB ministra cursos em diversas cidades do país. Além daqueles que acontecem nos endereços das filiais, há outros que são realizados nas empresas que têm interesse em ensinar as técnicas para seus funcionários.

Os cursos seguem as diretrizes do Centro de Referência Global de Primeiros Socorros da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, referência mundial no segmento, com sede em Paris. A cada ano, cerca de 14 milhões de pessoas são treinadas pelo conjunto das Sociedades Nacionais que compõem a Federação Internacional.

Para que mais pessoas tenham acesso aos procedimentos que salvam vidas, a instituição também lançou, recentemente, um aplicativo que pode ser baixado gratuitamente através do Play Store ou do Apple Store. Através de vídeos didáticos de pequena duração, é possível saber o que deve ser feito em várias emergências. Acidente Vascular Cerebral, queimaduras, ferimentos com armas de fogo, crise epilética, choque elétrico, fratura e intoxicação com produtos químicos são algumas das opções.

Fundada em 5 de dezembro de 1908, a Cruz Vermelha Brasileira é constituída com bases nas Convenções de Genebra, das quais o Brasil é signatário. É uma associação civil, sem fins lucrativos, de natureza filantrópica, independente, declarada pelo governo brasileiro de utilidade pública internacional, de socorro voluntário, auxiliar dos poderes públicos e, em particular, dos serviços militares de saúde. Tem como missão atenuar o sofrimento humano, sem distinção de raça, religião, condição social, gênero e opinião política.

Prêmios

Desde que assumiu a gestão do Hospital de Trauma, na Paraíba, há seis anos, a Cruz Vermelha Brasileira tem promovido melhorias. Logo no início, aumentou de 10 para 18 o número de leitos na Unidade de Terapia Intensiva, um crescimento superior a 95%. Ainda no primeiro ano de gestão, em 2011, o número de cirurgias subiu de 350 para 500 e a fila de 212 pacientes que aguardavam cirurgias ortopédicas terminou. Dois anos depois, mais de 1.500 m² foram construídos ou reformados na unidade, impulsionando a ampliação e modernização do Bloco Cirúrgico e de outros setores da unidade.

Os prêmios não tardaram a chegar. Em cinco anos de gestão, a unidade hospitalar recebeu o Paraibano de Qualidade da Gestão (PPGq). Por duas vezes, a Agência Transfusional do Hospital de Trauma foi premiada pelo ministério da Saúde. O setor é pioneiro na adoção do protocolo de Transfusão Maciça de Sangue. Também por duas vezes consecutivas, a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, por meio do Programa Nacional de Controle de Qualidade, premiou o Laboratório de Análises Clínicas do hospital.

O Hospital de Trauma obteve ainda a certificação de qualidade da Organização Nacional de Acreditação – ONA – e se tornou a primeira instituição pública da Paraíba a receber esta honraria. A Acreditação Hospitalar indica que a instituição de saúde tem a possibilidade de realizar um diagnóstico objetivo sobre o desempenho de seus processos, incluindo as atividades de cuidado direto ao paciente e também as administrativas.

Ao privilegiar a transparência, a unidade de saúde administrada pela gestão pactuada entre a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba e a Cruz Vermelha Brasileira se tornou a primeira Organização Social do Brasil a ter informações dos custos no sistema público.

Da Redação do Anexo 6

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