Cuidar do problema social é ideário socialista ou preocupação econômica mundial?

Sérgio Botêlho Notícia vinda da Alemanha, um dos países capitalistas mais importantes do mundo, dá conta de que começará a ser testada, no país, a gratuidade do transporte coletivo,

Sérgio Botêlho

Notícia vinda da Alemanha, um dos países capitalistas mais importantes do mundo, dá conta de que começará a ser testada, no país, a gratuidade do transporte coletivo, a partir de cinco cidades a servirem de modelo, mas, com altas chances de se espalhar pelo país todo.

No horizonte do governo direitista de Angela Merkel (direitista, mas, evidentemente, não tendente a extremismos autoritários, que é outro departamento) o objetivo é a preservação ambiental.

Não está importando ao governo alemão que o país alicerce fortemente sua economia na indústria automobilística, que mais pode ser atingida pelo fortalecimento do transporte público, em detrimento do individual.

O que mobiliza o governo, acima de tudo, é exatamente o meio ambiente, preocupação essa execrada até como socializante por alguns setores inconsequentes da Direita.

Em outro relevante país do universo capitalista internacional, a Inglaterra, inventora do capitalismo e reconhecida defensora do modelo, importa saber que o seu sistema de saúde é do tipo universal, no atendimento.

NHS (National Health Service) é o nome do sistema de saúde público na Inglaterra, o equivalente ao SUS do Brasil. Emprega 1.3 milhões de pessoas, atende a 1 milhão de pacientes a cada 36 horas e é considerado a maior estrutura de saúde pública do mundo.

Segundo as instruções do governo inglês, “assim que chegar na Inglaterra e tiver um endereço fixo, procure o General Practicioner (GP) mais próximo de onde você mora. Após preencher um cadastro, um médico te atenderá para um exame de rotina onde você deve declarar se tem ou teve algum problema de saúde. Pronto, você receberá um cartão com o número do registro pelo correio e as portas do NHS estarão abertas para você”, dizem as instruções.

Na Inglaterra, qualquer pessoa, incluindo imigrantes em situação irregular (ilegais), tem direito ao atendimento de emergência gratuito em qualquer hospital caso sofram um acidente ou estejam passando mal.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas tem emitido contínuos alertas, com o apoio da esmagadora maioria dos países capitalistas internacionais, sobre o perigo representado pelas desigualdades sociais ao presente e ao futuro da humanidade, e do próprio sistema capitalista.

Segundo o insuspeito Fundo Monetário Internacional (FMI), uma maior desigualdade de renda está associada a níveis mais baixos de crescimento. Para os economistas do FMI, “elevar a fatia da renda dos mais pobres e da classe média é favorável ao crescimento, devendo ser uma das prioridades dos governos”, segundo reportagem do igualmente insuspeito jornal Valor Econômico.

Ainda dentro do universo capitalista, os países nórdicos, com forte inserção na produção industrial do mundo, e até considerados por seus habitantes como ‘excessivamente capitalistas’, são outros exemplos de gestões voltadas para o bem-estar social, para o respeito às diferenças, para a educação e saúde gratuitas.

Muitos outros exemplos pelo mundo capitalista afora poderiam ser citados sobre políticas que vêm sendo seguidas no sentido de mais atendimento ao social, incluindo programas rigorosos de redistribuição de renda, que somente fortalecem o próprio modelo liberal-capitalista de organização econômica desses países.

Agora, com certeza, não há em nenhum desses países – e, por isso, são países considerados desenvolvidos – a não ser em movimentos minoritários, tendência que aponte para a adoção de um capitalismo selvagem ou sistemas de governos militaristas, seguindo o exemplo da Venezuela ou da Coreia do Norte.

O que diria pensar nesse tipo de coisa num país tão pobre quanto o Brasil, que necessita de cada vez uma melhor distribuição de renda, mais mobilidade social, mais liberdade individual, mais educação, mais saúde, enfim, para se construir como um país desenvolvido, capitalista, mesmo, no cenário internacional!

Nesse contexto, confundir anseios nessa direção, com ideários socializantes, termina pesando, mesmo, é contra os que se escoram em teses dessa qualidade, rasas, por excelência, e inteiramente descontextualizadas das aspirações do mundo atual, como se vê, e do próprio país.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.