Datafolha: retrato do momento

Sérgio Botêlho Em primeiro lugar, milita no erro quem imaginar que os números apresentados pelo Datafolha têm exagerada coisa a ver com o que ocorrerá no dia da eleição.

Sérgio Botêlho

Em primeiro lugar, milita no erro quem imaginar que os números apresentados pelo Datafolha têm exagerada coisa a ver com o que ocorrerá no dia da eleição. Para repetir o lugar comum, muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte que nos leva ao pleito. Bom, então, que tratemos os números com o necessário “neste momento”.

Contudo, os índices do DataFolha revelam tendências. A primeira delas: o ex-presidente Lula dá sinais de uma enorme resiliência, e mostra que tende a manter, nessa mesma ordem de grandeza, poder de influência sobre o pleito, independente de sua situação judicial, seja ele candidato ou não, esteja ele solto ou preso.

Seguindo a ordem das preferências, na pesquisa, o deputado federal Jair Bolsonaro, se mantém no mesmo patamar de sempre, oscilando dentro da margem de erro. Isso significa que o candidato continua a ter o seu discurso aceito, apenas, por um determinado nicho dos eleitores.

As candidaturas de Ciro Gomes e de Marina Silva são, pelo que mostram os números do Datafolha, as que mais necessitam do afastamento de Lula do quadro de candidatos. Com Lula entre as preferências dos eleitores, fica difícil, neste momento, prever alguma performance eleitoral mais alentada para os dois.

Mesmo com Lula fora do páreo, Ciro e Marina podem necessitar bastante de uma força de Lula para que consigam ser impulsionados ao segundo turno. Neste momento, sem que o quadro da ausência de Lula seja uma efetiva realidade para os eleitores, fica difícil imaginar para onde migrarão os votos do ex-presidente, no pleito.

É bom levar em consideração de que além da ausência de Lula do confronto eleitoral não estar claramente colocada para os eleitores, não há, ainda, qualquer indicação manifestada pelo ex-presidente sobre sua preferência, no caso de estar ausente, por algum candidato real, a partir dali.

De outra parte, é grande ainda a dificuldade para candidatos do chamado Centro, já que nenhum de seus prováveis postulantes consegue obter boa classificação na pesquisa. No seco, com a saída de Lula, mas, também, sem Marina Silva, o governador paulista Geraldo Alckmin chega a empatar com Ciro Gomes nos 7% das intenções de voto.

Até outubro, é preciso acompanhar o desempenho da economia, pois, tal desempenho terá forte influência sobre a escolha popular entre os que estarão classificados, na visão dos eleitores, como governo e como oposição. Bom lembrar que o desempenho da economia é valorado, pelos eleitores, conforme seu reflexo na vida real de cada um deles.

Para o outsider Hulk, nada indica que ele possa abocanhar os votos de Lula caso o ex-presidente esteja fora do páreo.  Em duas vezes em que ele é testado, no Datafolha, sem Lula na lista, Hulk fica atrás de Ciro e Marina, enquanto aumenta o número de votos nulos e brancos.

O pior que pode ser feito por qualquer candidato, neste momento, é desprezar os números do Datafolha, de larga tradição quando se trata de pesquisas de opinião pública. Observando os números na condição de fotografia, e, naturalmente, como expressão de tendências, os candidatos postos ou ainda aspirantes à condição somente terão a ganhar.

Em todo caso, têm de fazer uma leitura dos números de forma desapaixonada, senão, terminarão naufragando na própria paixão.

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