Eleições 2018: o perigo mora ao lado em São Paulo e na Paraíba

Sérgio Botêlho Há pelo menos dois casos, no momento, reveladores do perigo representado pelos vice-governadores aos projetos políticos dos titulares do cargo, especialmente quando estes têm de se afastar
Jornalista Sérgio Botêlho
Sergio Botelho

rgio Botêlho

Há pelo menos dois casos, no momento, reveladores do perigo representado pelos vice-governadores aos projetos políticos dos titulares do cargo, especialmente quando estes têm de se afastar para concorrer a função diferente da que exercem.

Um dos casos é mais ruidoso já que acontece no estado econômica e eleitoralmente mais forte do país, que é o estado de São Paulo. Tendo inexoravelmente que deixar a governadoria, para concorrer à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB) está em palpos de aranha.

Acontece que o vice do tucano é o socialista Márcio França, que vem afirmando em alto e bom som que pretende candidatar-se à reeleição no caso de assumir a titularidade do cargo. A pretensão de França, uma vez concretizada, ameaçaria a hegemonia do PSDB em São Paulo.

Se o PSDB resolver apoiar o candidato do PSB, estará efetivamente deixando a pretensão de continuar governo, posição que vem ostentando desde 1995, com a eleição do ex-governador Mário Covas, para apoiar a ascensão do socialista.

Se resolver disputar com Márcio França, poderá ter de enfrentar uma candidatura fortalecida em virtude de possível apoio dos atuais oposicionistas petistas e aliados, e, ainda, ver parte da base que sustenta Alckmin, no governo, atualmente, migrar para a candidatura do PSB.

O outro estado onde isto acontece é o da Paraíba. O atual governador Ricardo Coutinho, do mesmo PSB de França, tem como vice, Lígia Feliciano, do PDT, que, caso assuma o governo, vai fazer o mesmo que promete Márcio França, em São Paulo.

Também, na mesma linha do PSB de São Paulo, o PDT da Paraíba pode conquistar o apoio dos que fazem oposição atualmente ao PSB, além de dividir a base de sustentação de Coutinho, isso, a nove meses, ainda, do término do atual período administrativo.

A única diferença entre as duas situações é que Ricardo Coutinho não tem a mesma premência de deixar o governo que tem Alckmin, podendo adiar projetos pessoais imediatos com o objetivo de manter o seu grupo no governo. E, segundo gente de primeiro escalão, ligada a ele, é isso mesmo o que pretende fazer.

Mas, não deixa de ser uma situação indesejada, mesmo para quem se dispõe ao sacrifício pessoal, como é o caso de Ricardo, a de ter que enfrentar aqueles que foram seus vices governadores, já que aliados de primeira linha no último pleito estadual.

O que coloca a saída de Alckmin no campo das inexorabilidades é a sua condição de melhor nome tucano para concorrer à Presidência, diante da decisão já tomada pela cúpula da sigla de ter candidato próprio para tentar o retorno ao poder da República.

Já no caso de Coutinho, que teria, segundo os analistas, eleição tranquila para o Senado Federal, uma possível eleição para a Prefeitura de João Pessoa, em 2020, seria o suficiente para fazê-lo não deixar o governo, agora, ficando até o último dia na busca de eleger o sucessor.

Façam suas apostas.

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