Eleições: acertos ganham celeridade

Sérgio Botêlho Ainda que estejamos entrando apenas na segunda semana de janeiro, o primeiro mês do ano, a mais de 9 meses das eleições, as articulações levadas a efeito
Jornalista Sérgio Botêlho aborda eleições e reforma da Previdência
Sergio Botelho

Sérgio Botêlho

Ainda que estejamos entrando apenas na segunda semana de janeiro, o primeiro mês do ano, a mais de 9 meses das eleições, as articulações levadas a efeito por possíveis candidatos à Presidência da República estão cada vez mais aceleradas.

Na primeira semana deste mês, o candidato da extrema-direita, o deputado Jair Bolsonaro (com longa trajetória na política), fechou com o Partido Social Liberal, abandonando os acertos com o Patriotas.

Mesmo com a fuga da ala chamada de Livres, o PSL parece ser o partido (na verdade, o sétimo partido a que já se filiou em sua carreira política) pelo qual Bolsonaro vai disputar o pleito presidencial, após 7 vezes eleito deputado federal, pelo Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), acelerou as conversas com outros partidos e já anuncia que terá o apoio do PP, comandado nacionalmente pelo senador Ciro Nogueira, do Piauí.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD-GO), também se movimenta, tendo, mais uma vez, levado sua mensagem a evangélicos, na última sexta-feira, 05, dando prosseguimento à tática de dar corpo à candidatura.

Meirelles, contudo, pode se ver forçado a abandonar o PSD, pois, o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, que preside a sigla nacionalmente, parece mais favorável a apoiar a candidatura do governador Geraldo Alcikmin.

O ex-presidente Lula (PT-SP), candidatos das esquerdas, este, se encontra em campanha desde o ano passado, e aguarda, junto com a militância petista, o desfecho do julgamento a que será submetido no próximo dia 24, em Porto Alegre, no Tribunal Regional Federal.

Enfim, o governador paulista, Geraldo Alckmin, tenta se firmar como candidatura de Centro, tendo, ainda, de convencer o seu partido, o PSDB. Os tucanos continuam dando sinais trocados a respeito do assunto. Se não convencer o tucanato, Alckmin pode até migrar para o PSD ou PSB.

Daqui a 15 dias o Congresso Nacional reabre os trabalhos sob esse clima político de elevada temperatura, não apenas em função dos avanços e recuos nas articulações objetivando a disputa presidencial, como, também, a de senadores e de deputados em busca da reeleição.

A essas alturas, já estaremos sabendo o desfecho do julgamento do ex-presidente Lula, em Porto Alegre, e, qualquer que seja o resultado, ele terá forte influência nos trabalhos do Congresso Nacional, uma vez que guarda estreita ligação com a política nacional.

Da Lava-Jato, que pode ser considerada uma variável fora de controle político, ninguém sabe o que pode vir, e, portanto, é condicional que não é possível valorar melhor, neste momento, mas, que pode ser fator de mais conturbação política.

Outra variável de forte influência eleitoral e no humor dos congressistas é o da economia, que vem dando sinais positivos, mais ainda sem entusiasmar a população. Do desempenho econômico decorrerá a melhora ou piora da popularidade do governo, item importantíssimo.

Durante o mês de fevereiro outro tema, já envolto nesse clima de tensão, haverá de mexer com os ânimos dos parlamentares, que é o da reforma da Previdência, com votação prevista para a segunda quinzena daquele mês.

É essa votação que vai fechar o ciclo político de fevereiro, sendo possível admitir, qualquer que seja o veredito dos deputados sobre a reforma, que de março até outubro de outra coisa não se fale no país, a não ser de eleições. Para o bem e para o mal.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.