O professor e o menino

Segunda-feira à tarde uma bomba em minha timeline: o Professor Jordenes teria sido detido por humilhar um garoto de 12 anos em sua escola. Como assim, o Professor Jordenes,

Segunda-feira à tarde uma bomba em minha timeline: o Professor Jordenes teria sido detido por humilhar um garoto de 12 anos em sua escola.

Como assim, o Professor Jordenes, logo ele??? Logo o homem considerado o melhor diretor de escola do Brasil? Logo o educador que, a partir de uma escola de ensino fundamental, mudou o perfil de uma cidade?

A notícia dava conta que Jordenes teria recolhido os chinelos de um menino e, depois, mandado-o de volta para sala de aula, descalço, exposto ao deboche de seus colegas. As imagens eram fortes: um menino humilde chorando, envergonhado, com as mãos tapando o rosto.

Aquilo não podia ser verdade. Um filho de carroceiro e de uma empregada doméstica expondo a vexame um menino dentro de sua escola? Um pecado tão grave cometido justo naquele espaço sagrado do CEFA contra alguém que, como Jordenes, nasceu no berço da necessidade?

Logo os fatos vêm à tona. Os alunos, em horário de atividade, estavam jogando uma pelada no pátio. Não pode. Jordenes recolheu a bola improvisada e os chinelos do menino e o mandou ir à coordenação. O menino não foi. Foi direto para a sala de aula. Descalço.

O circo estava armado. Alguém filma a criança cabisbaixa. O Conselho Tutelar é acionado. As manchetes estampadas.

Desperta atenção o fato de, ao constatar a suposta exposição vexatória de uma criança, a providência não tenha sido tomada de forma imediata. Não. Uma câmera foi ligada. Aqueles que se “compadeceram” do sofrimento do menino não abreviaram sua dor. Estenderam-na.

Jordenes é reconhecido por sua liderança. Ao assumir a direção da escola, encontrou o caos. Como em muitas escolas de comunidades carentes, o espaço estava tomado por marginais. O professor promoveu uma verdadeira faxina.

Em pouco tempo, transformou o CEFA na escola pública com as melhores notas do Distrito Federal. Com uma ideia na cabeça e o pulso firme, ofertou aos filhos do Arapoanga a possibilidade, concreta, de ascensão. Isso é possível apenas com educação de qualidade.

Talvez o jovem tivesse medo da bronca que tomaria. Afinal, no CEFA, as regras são cumpridas. Lá tem ordem, disciplina. Se fosse diferente, não haveria a transformação.

As redes sociais são compostas por toda sorte de gente. Como na sociedade, tem bons e os maus, sábios e os tolos, bem e mal-intencionados. Abutres também habitam o espaço. Juízes, então…

Quem está na chuva é pra se molhar. Ninguém, em sã consciência, poderia imaginar que atuação tão destacada e reconhecida como a do Professor Jordenes não despertasse inveja. Ira. Como são mesquinhos alguns homens.

O que é impensável é que toda essa pantomima tenha sido armada por motivação política. Alto lá! Aí é jogar fora das 4 linhas. Aí é coisa de bandido, como aqueles que o Professor expulsou da escola.

Jordenes é alvo porque faz. Porque transforma. Porque é bom. Evidente que sua candidatura em 2014 também apavorou os velhos políticos. Um diretorzinho de escola de periferia mais votado que distritais eleitos?

Este caso deve ser apurado profundamente. Os culpados devem pagar. Até o Jordenes, caso tenha cometido algum excesso. Eu não acredito.

Tenho convicção que a verdade aparecerá. Que a lei prevaleça. Que as crianças sejam preservadas e a elas sejam ofertadas oportunidades de verdade. A revolução no Arapoanga não pode parar! E que ela alcance o DF e o Brasil!

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