PSDB X Governo: crise e reforma

Sérgio Botêlho O desenlace entre o governo e o PSDB está se encaminhando mais rapidamente para um desfecho. Nesta quarta-feira, 29, a relação entre os dois lados piorou a
Sergio Botelho
Sergio Botelho

Sérgio Botêlho
O desenlace entre o governo e o PSDB está se encaminhando mais rapidamente para um desfecho. Nesta quarta-feira, 29, a relação entre os dois lados piorou a olhos vistos, após troca de declarações.
Depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ter dito que nunca foi favorável à presença tucana no governo, e do presidente afastado Aécio Neves ter considerado que o partido vai mesmo pular fora da composição governista, o secretário chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), declarou, em alto e bom som, que o PSDB está fora da base do governo.
Em recuperação por conta de angioplastia e colocação de stents a que se submeteu, no último final de semana, Temer não confirmou o que disse o seu ministro, um dos auxiliares mais próximos do líder peemedebista.
Padilha enfatizou, ainda, que o governo não concorda com mudanças no projeto da Previdência, de acordo com o que exigem os tucanos, praticamente encerrando qualquer conversa a respeito do assunto.
No próximo domingo, dia 03, o presidente da República vai reunir os líderes que formam na base do governo a fim de fazer um check list da quantidade de votos que possui, na Câmara dos Deputados, a favor da reforma.
Somente após esse encontro é que o Planalto vai ter um quadro mais real de suas chances. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já adiantou que sem o PSDB fica muito difícil uma vitória no plenário da Casa.
O governo aposta que ainda poderia contar com o apoio de grande parte dos socialdemocratas para a aprovação do texto. Resta saber se essa parte do PSDB que votaria com a reforma é suficiente para compor o número de sufrágios necessários à vitória em plenário, exatamente, 308 votos, em primeiro e segundo turnos.
Mesmo diante de tanta complexidade, há no governo quem sonhe em levar a matéria ao plenário na próxima quarta-feira, dia 06, embora os menos otimistas pensem em alguma chance lá pela última semana antes do recesso parlamentar. Para os pessimistas, uma turma altamente numerosa, essa votação teria que ficar para 2019.
Ante as dificuldades, o Ibovespa fechou em forte baixa, nessa quarta-feira, 29, na ordem de 1,94%. É a quinta queda nos últimos cinco pregões, bem reveladora do nervosismo que domina o mercado diante dos problemas enfrentados pelo governo.

 

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