Semana fria, no Congresso, mas, de trabalho para o governo em favor de reformas

Sérgio Botêlho – Anexo 6 Teremos uma semana fria no Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. O feriado de depois de amanhã, quarta-feira, 15,
Sérgio Botêlho - Jornalista
Jornalista Sérgio Botêlho

Sérgio Botêlho – Anexo 6

Teremos uma semana fria no Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. O feriado de depois de amanhã, quarta-feira, 15, é o responsável.  Mas, nem por isso, o mesmo clima deverá ser repetido em Brasília, como um todo.

No condomínio brasiliense, o Palácio do Planalto tende a redobrar esforços no sentido de buscar, de alguma forma, a aprovação da reforma da Previdência, objeto do não-desejo da esmagadora maioria dos parlamentares da base.

A grande preocupação da massa parlamentar, conforme já comentamos várias vezes, é com o voto popular nas eleições de 2018. E tem procedência, essa particular preocupação: a esmagadora maioria do povo brasileiro se posiciona contrariamente à proposta.

Tão esmagadora maioria contrária à proposta incomoda àqueles que necessitam se reeleger à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, e, para isso, garimpar votos no pleito de outubro do próximo ano.

Para mostrar como anda o medo gerado por essa necessidade de votos, no meio parlamentar, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comparou a reforma previdenciária a um palavrão, tanta é o seu desprestígio entre os deputados.

Na mesma linha, e, da mesma forma, para que o Planalto se conscientize sobre a indisposição dos parlamentares com respeito à reforma previdenciária, o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA) enfatiza: “Não adianta mais conversa. É preciso saber o que traz voto”

O baiano sabe muito bem do que está falando pois é ele quem, na qualidade de relator do projeto, conversa mais intensamente com os deputados. Arthur aconselha Temer a promover algum tipo de ação política a favor da reforma junto aos deputados.

Sobre exatamente em que consistiria essa ação política, não há esclarecimento suficiente na fala de Maia. Supõe-se que, em virtude do “é preciso saber o que traz votos”, deva ser alguma atitude concreta que compense o desgaste do votante junto às suas bases.

Uma compensação, assim, à altura, só em forma de dinheiro, mais precisamente, em se tratando de ação governamental, traduzida na liberação de emendas orçamentárias, para satisfazer as poderosas bases municipais.

Acontece que a liberação de emendas parlamentares na quantidade e nos valores que requer uma votação, assim, tão desgastante, não parece ser mais possível, diante do esgotamento dos recursos orçamentários, frente ao rombo altíssimo previsto para o final do ano.

Segundo levantamento feito por economistas, divulgado pela revista Exame, o governo tem se mantido, com muito mais dependência, agora, em cima das chamadas receitas extras, a exemplo de leilões e concessões. Os analistas cobram aperto de despesas.

Ora, liberação de emendas à altura do que possam pretender os parlamentares significa mais despesas, e, portanto, mais riscos para a economia. Isso pode representar, justamente, a inviabilização de um processo de mais liberação de emendas.

Donde se conclui que a reforma da Previdência, mesmo em um novo modelo bem mais brando, pode estar se tornando um sonho distante, e, por isso, é que o governo já se prepara para colocar a culpa inteiramente no Congresso Nacional.

Com alguma razão, é verdade, porém, bem distante do que prometeu ao mercado.

 

 

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.